Viajar para a Itália pós-Covid-19: como é e o que esperar

Viajantes usando máscara de proteção na estação de Turim, Itália.
A Itália abriu as fronteiras para viajantes internacionais, mas é preciso respeitar as normas de segurança em aeroportos, portos e estações de trem.

Caminhar em uma estação de trem italiana nunca foi tão bom e tão estranho ao mesmo tempo. Em todo lugar há placas lembrando que você deve manter uma distância segura dos outros passageiros. Nos assentos há adesivos marcando-os como indisponíveis, o que resulta em mais espaço para as pernas, o que é bom, mas mesmo assim não é fácil relaxar. E acima de tudo, é difícil se acostumar com a máscara de proteção.

A viagem de Turim a Veneza leva cerca de 5 horas, e todos os passageiros devem usar a máscara o tempo todo. A companhia de trem também sugere o uso de luvas descartáveis. As marcações no chão e os desinfetantes para as mãos em todas as portas são outros lembretes do chamado “novo normal”.

Fotos das medidas de segurança pós-Covid-19 impostas ao usuários de trens na Itália.
Normas segurança nos trens do norte da Itália. Aviso para manter a distância, não utilizar certos assentos e usar a máscara durante toda a vigem.

Desde o dia três de junho a Itália está aberta aos turistas internacionais, e muitas de suas cidades estão ansiosas para receber turistas o mais rápido possível. Elas precisam de um gás na economia, mas acima de tudo, a população daqui precisa sentir que a era pós-Covid-19 é real e trará dias melhores.

A reabertura da Itália foi uma surpresa para muitos, pois o país foi um dos primeiros atingidos pela pandemia, e o número de infecções e mortes foi um dos mais altos do mundo. Após três meses de isolamento, música nas sacadas e uma emergência econômica, a Itália está apostando no turismo, e está pronta para o verão.

Mas como é viajar na Itália agora? O que os viajantes podem esperar de aeroportos, hotéis, museus, praias e restaurantes? Como o Covid-19 mudou a maneira de visitar a Itália? E o mais importante, é seguro viajar para a Itália agora?

Antes de responder a todas essas perguntas, devo lembrar duas coisas. Primeiro que não somos especialistas em saúde e, antes de pensar em viajar para a Itália, você deve verificar a legislação de saúde vigente em seu país. Segundo, moramos em Turim, no norte da Itália, sendo que primeiro exploramos nossa cidade, depois viajamos para Veneza – nossa primeira viagem após o isolamento restrito imposto aqui na Itália. As informações apresentadas aqui são resultado de nossa percepção como viajantes, e de uma série de conversas e entrevistas que fizemos com pessoas do setor de hospitalidade e turismo.

Se você reside em um país da União Europeia e deseja visitar a Itália neste verão, temos boas notícias. É possível fazer as malas e viajar para a Itália agora, mas lembre-se de que sua segurança depende não apenas das medidas adotadas pelo governo e pelo setor de turismo, mas também de seu comportamento e cuidados.

 

Viajante usando máscara na Praça de São Marcos em Veneza.
Menos turistas, máscaras de proteção e distanciamento social fazem parte da nova normalidade da Itália.

Como é viajar para a Itália agora?

Talvez isso soe estranho, mas não há melhor época para viajar para a Itália do que agora. Cidades como Roma, Veneza, Florença e Milão ainda estão vazias das multidões de turistas que costumavam lotar suas ruas. Além disso, os preços dos hotéis, atrações e até transporte estão mais baratos.

Quase tudo está aberto, embora alguns pequenos negócios ou pousadas familiares ainda estão esperando por mais turistas para retomarem suas atividades. Infelizmente, algumas empresas não sobreviveram à crise. É triste ver tantas lojas e hotéis de portas fechadas em Veneza, mas também é uma oportunidade para repensar o turismo e encontrar melhores formas de viajar e conviver com o novo coronavírus.

Então, quem pode viajar para a Itália? A partir de 3 de junho, a Itália está aberta a visitantes provenientes dos 26 países membros da União Europeia, além da Suíça, Noruega, Islândia, Reino Unido, Liechtenstein, Andorra, São Marinho, Cidade do Vaticano e Mônaco. Note que as restrições de viagem se baseiam em seu ponto de origem, não importando sua nacionalidade ou passaporte.

Uma quarentena de 14 dias é obrigatória para viajantes que chegam de ou visitaram qualquer outro país não listado acima. Por exemplo, se uma pessoa voou dos EUA para a França e para a Itália, ela está sujeita à quarentena de 14 dias e é responsável por suas despesas para tal.

Atualização: A partir de 1º de julho, viajantes vindos da Argélia, Austrália, Canadá, Geórgia, Japão, Montenegro, Marrocos, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Coréia do Sul, Tailândia, Tunísia e Uruguai podem viajar para a União Europeia. Porém cada país da UE pode decidir aceitar ou não os viajantes desses países, a Itália optou por não aceitar.

O uso de máscara é obrigatório em aeroportos, estações de trem e portos. Todos os passageiros estão sujeitos ao controle de temperatura, e se ela estiver acima de 37,5° C você será encaminhado para as autoridades de saúde.

Pessoas sentadas em mesas colocadas na frente do restaurante em Turim, Itália.
Turistas e locais precisam se adaptar as mudanças em bares, restaurantes, hotéis e atrações.

O que você pode esperar de hotéis, museus, praias e restaurantes?

Ok, você chegou à Itália; agora é hora de enfrentar as medidas de limpeza e segurança que mudarão sua experiência no hotel. Existem duas preocupações importantes aqui, a segurança dos hóspedes e a segurança do pessoal que trabalha nos hotéis e albergues.

Todas as empresas de hospedagem devem seguir as diretrizes de higiene e procedimentos do Ministério da Saúde Italiano para evitar o contato pessoal. No entanto, alguns hotéis estão indo além e criando seus próprios protocolos de limpeza para garantir que os hóspedes e sua equipe possam ter a melhor experiência possível.

Algumas das mudanças mais significativas nos hotéis e albergues são as novas regras de limpeza para quartos e, especialmente, para os espaços compartilhados; além do check-in e check-out online e as marcações de distância mínima na recepção e nas áreas comuns.

Mulher verificando a temperatura em um monitor automático na recepção de um hotel em Turim na Itália.
Ao entrar no Hotel DoubleTree by Hilton Lingotto em Turim, todas as pessoas terão a temperatura verificada.

O hotel DoubleTree by Hilton Turin Lingotto está seguindo o protocolo Hilton CleanStay, o que significa que todas as pessoas que entram no hotel devem usar máscaras e higienizar as mãos, e a equipe do hotel medirá a temperatura dos hóspedes. Os quartos e espaços públicos estão recebendo uma limpeza mais completa. O número de pessoas nas áreas compartilhadas entre os hóspedes, como academia, piscina e restaurantes, é controlado e a distância social deve ser respeitada. Essa abordagem sem contato começa na recepção e se estende ao serviço de quarto e ao café da manhã.

As grandes redes de hotéis têm maior probabilidade de manter procedimentos padronizados, enquanto pequenos hotéis e pousadas podem não ter uma abordagem tão direta. Isso não significa que eles não estão seguindo as orientações das autoridades de saúde. Ainda assim, a comunicação entre o viajante e a recepção nem sempre é a mais clara, o que pode levar a medidas de segurança não serem seguidas à risca, principalmente pelo hóspede.

Em Veneza, vimos muitos turistas sem máscara no hotel ou na recepção, colocando em risco não apenas sua saúde, como a dos funcionários lá trabalhando. Mudar a mentalidade é outro ponto crucial para viajar no pós-Covid-19. Você não apenas precisa estar ciente de seu comportamento, mas também ser flexível com suas escolhas.

Albergues na Itália são outro exemplo de como os viajantes precisam se adaptar à nova normalidade. Quem procura a experiência de dormitório em hostel talvez precise mudar de ideia. No novo normal “não compartilhar é cuidar”, o que deixa os hóspedes com a opção de reservar apenas quartos privativos.

Places mostrando as regras de higienização pós-Covid-19 nos hostels da Itália.
A nova normalidade no albergue Combo Hostel em Turim.

O hostel Combo em Turim abriu suas portas no início do ano e teve que enfrentar o lockdown logo depois. Recentemente reaberto, ele ainda oferece a atmosfera de albergue porém seguindo um protocolo de segurança, como não compartilhar quartos, limpeza extra das áreas públicas, e um procedimento de higienização específico em todos os objetos usados anteriormente por outros hóspedes. A equipe foi treinada para usar equipamentos de proteção e a propriedade oferece desinfetante para as mãos em todas suas áreas comuns, esperando que os hóspedes sigam as medidas de segurança.

A higienização das mãos e as máscaras também são indispensáveis para quem quer visitar museus na Itália. Lembre-se de que a maioria dos museus e atrações turísticas opera com capacidade reduzida e segue as diretrizes de saúde; portanto, é recomendável reservar suas entradas com antecedência.

Em Turim, o famoso Museu Egípcio está aberto, com funcionários em todos os andares de olho no número de visitantes. Placas dizem para você higienizar as mãos na entrada de todas as salas de exposição. Os adesivos na parede lembram que você deve manter uma distância de 1,5 metro da outra pessoa e usar sua máscara o tempo todo.

Visitante no Museu Egípcio em Turim usando máscara de proteção.
Poucos visitantes no Museu Egípcio em Turim. A capacidade está reduzida e o uso de máscara é obrigatório.

A incrível Basílica de São Marcos em Veneza também está aberta, e a boa notícia é que, apesar das máscaras, você consegue visitá-la com mais facilidade e rapidez. As atrações que costumavam estar lotadas agora aguardam por turistas, outro aspecto positivo de viajar para a Itália nos próximos meses. O conselho é verificar os sites oficiais para se informar sobre o novo horário de funcionamento, as medidas de segurança e como agendar sua visita com antecedência.

Os passeios também precisaram se adaptar ao novo normal. Grandes grupos dão espaço para grupos menores ou passeios privados. Os guias são treinados para usar máscaras, evitar multidões e até ajustar o itinerário passando apenas em locais com disponibilidade para visita.

Um passeio gastronômico e histórico por Veneza, como este aqui, é uma maneira fantástica de explorar os pontos menos conhecidos e experimentar a deliciosa comida local. Mas, na maioria das vezes, os lanches serão saboreados nas ruas, evitando aglomero dentro dos pequenos restaurantes.

Viajar para a Itália é sinônimo de vinho e comida boa, e para isso é preciso encarar mais medidas de segurança contra do Covid-19. Bares e restaurantes estão com mesas extras no lado de fora, nas calçadas e em quase todas as praças. Mais assentos ao ar livre, menos contato com a equipe do restaurante e, em alguns casos, há placas de acrílico entre as mesas.

Restaurante na cidade de Turim no norte da Itália com mesas espalhadas na praça.
Praças e espaços públicos tornaram-se uma extensão dos restaurantes e bares.

Os restaurantes precisam ir além para garantir que as pessoas mantenham uma distância segura enquanto comem, já que as máscaras faciais são obrigatórias apenas ao entrar ou sair do local. Existe uma preocupação a mais com bares e o aglomero de pessoas durante o aperitivo, o famoso happy hour italiano. Nessa hora contam os cuidados e comportamento das próprias pessoas, e muitos de nós esquecemos de respeitar a distância adequada, especialmente depois de um spritz ou dois.

Espaços públicos, praças, parques e praias são outro grande desafio. Não é porque as pessoas estão ao ar livre, que elas estão imunes ao contágio. Se a distância social não for possível, os viajantes devem usar máscaras, especialmente se estiverem cercados por pessoas com quem não moram.

Diretrizes de saúde estão sendo adotadas para tornar as praias italianas seguras. Sestri Levante, uma famosa praia na província de Gênova, está aberta para moradores e visitantes, mas as pessoas precisam seguir algumas regras para ter um lugar ao sol.

Murilo Moro, da Odisséia de Apolo, mora em Sestri Levante e contou que um espaço de 4 metros quadrados na praia está disponível para até 4 pessoas da mesma casa. A distância entre as pessoas na areia e no mar deve ser de pelo menos 1 metro. As pessoas não têm permissão para deixar objetos pessoais na praia ou reservar espaço para familiares e amigos.

Na entrada principal da praia de Sestri Levante há placas mostrando as regras e como os banhista devem se comportar na praia.
Os banhista em Sestri Levante devem seguir as regras de utilização da praia, respeitar a entrada oficial e os espaços demarcados na areia.

Em Sestri Levante, os banhistas encontrarão placas apontando para a entrada oficial da praia. Um segurança estará na entrada para auxiliar as pessoas a encontrar um local vazio na areia, ou negar o acesso se a área estiver cheia. Não apenas as praias da região da Ligúria têm um protocolo de distanciamento social, essas medidas são uma realidade na maioria das praias italianas, especialmente nas famosas.

A verdade é que a vida, as viagens e até mesmo o banho de sol estão longe do normal; portanto, se queremos sentir a alegria de visitar um novo destino, precisamos nos adaptar.

 

Como o Covid-19 mudou a maneira de viajar na Itália?

O setor de hospitalidade e os departamentos de turismo da Europa estão avaliando como o Covid-19 mudará o setor de viagens e estabelecerá novos padrões de higiene e comportamento. Diretrizes de segurança, regras e medidas de limpeza são a ponta do iceberg chamado de nova normalidade. As conversas vão desde como os principais destinos de viagem sebreviverão com menos turistas neste primeiro momento de reabertura, até como os viajantes irão planejar suas férias diante da pandemia.

Na Itália, como em outros países da Europa, as viagens de carro e trem têm mais probabilidade de serem reservadas do que os voos. Staycations (férias em casa ou perto dela), turismo local, destinos fora dos roteiros mais conhecidos e atividades ao ar livre são a primeira tendência de viagens na realidade pós coronavírus. Eventualmente, as longas viagens de avião voltarão ao “normal”, embora os especialistas não possam prever quando.

Viajantes fazendo um passeio de mountain bike na região de Alpe Cimbra nos Alpes Italianos.
O interior da Itália oferece várias atividades ao ar livre como pedalar nos Alpes.

A boa notícia é que a Itália oferece todos os tipos de experiências. Desde destinos históricos e famosos, como Veneza, Roma, Milão e Florença, a lugares menos conhecidos e joias escondidas, como Rovereto para apreciadores de arte, ou Alpe Cimbra e Borno para amantes da natureza. Todos vêem o turismo como uma maneira de superar a crise e estão fazendo a sua parte para tornar o ato de viajar o mais seguro possível.

O segredo para viajar para a Itália neste verão ou no próximo inverno é planejar com sabedoria. Os viajantes devem ser flexíveis, seguir as diretrizes do Departamento de Saúde da Itália e também de seu país de origem.

 

A grande questão: é seguro viajar para a Itália agora?

Essa é uma pergunta difícil de responder. Comparada a outros países da Europa, a Itália foi uma das primeiras a lidar com o Covid-19 e também uma das primeiras a trabalhar em um plano de recuperação. O país está aberto a viajantes internacionais desde 3 de junho. A reabertura da Itália para o turismo ocorreu após o número de novos casos e mortes estarem sob controle, e as previsões mostram que a curva de contágio diminuirá dia após dia.

Os viajantes podem verificar os números diários do Covid-19 na Itália e avaliar se o desejo de viajar e conhecer a cultura, a culinária e a natureza italiana vale o risco. Nossa viagem pelo norte da Itália – Piemonte, Vêneto e  Lombardia (a região mais afetada do país) – foi a melhor do que imaginávamos. Não nos sentimos em risco, mas confesso que demoramos um dia ou dois para nos acostumar com as máscaras de proteção e a distância social. Além disso, visitar alguns dos destinos mais emblemáticos do país sem as multidões foi uma experiência inesquecível.

A lição mais importante que tiramos dessa viagem e pesquisa é que daqui pra frente precisamos aprender a conviver com o vírus, tornando nossa vida o mais segura possível, não apenas durante as viagens, mas em nossa rotina diária.

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A Itália está aberta ao turismo internacional, mas não para todos os viajantes. Além disso, viajar para Itália pós-Covid-19 está um pouco diferente, as Autoridades de Saúde criaram várias medidas de segurança e protocolos de higiene que indústria do turismo e viajantes precisam seguir. Descubra aqui quem pode viajar para a Itália, como é viajar na Itália nesse momento, o que esperar e se é seguro. #Italia #viagemItalia #italiaagora

 

4 comentários em “Viajar para a Itália pós-Covid-19: como é e o que esperar”

  1. Boa noite
    Gostei muito da vossa descrição da viagem.
    Tenho viagem marcada para norte de italia para o mes de agosto para realizar alguns trekking. Como achou as cidades neste momento de pandemia, achou seguro os hoteis?
    cumprimentos e continue com o seu exelente trabalho

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    • Oi Sergio,
      Sim, achamos os hoteis super limpos e seguros. A experiência menos confortável que tivemos foi utilizar o transporte público aqui em Turim. Todo mundo estava usando máscara porém o ônibus estava lotado, sem distanciamento nenhum entre os passageiros.
      Já o transporte de trem entre as cidades foi super tranquilo e todo mundo respeitando o distanciamento.

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