Nossa primeira grande perda

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Our lovely Godard.

Viajar não é só diversão. Saudade, tristeza e perdas vão cruzar o seu caminho

Semana passada foi a primeira vez que eu pensei em cancelar a viagem e voltar para o Brasil! Sério, foi a primeira vez que eu me dei conta do quão longe estamos de casa e das pessoas que amamos. Hoje nosso post deveria ser sobre  Toledo (uma cidade histórica fantástica na Espanha), mas resolvi mudar a pauta. Decidir falar de algo maior, sobre a saudade de casa, da tristeza e como lidar com perdas ao longo do caminho.

O que me fez mudar os planos do blog? Meu querido gato e amigo peludo faleceu. Dez anos de amizade que simplesmente acabaram, sem eu ter a menor chance de dizer adeus a ele. Foi a nossa primeira perda, algo que não estávamos esperando e nem imaginávamos que aconteceria tão rápido. Pensava que esse tipo de coisa só aconteceria num futuro distante, e definitivamente não estávamos preparados.

Planejar uma viagem é super excitante, é pensar e programar o futuro. Sonhar com o que vamos fazer, conhecer e visitar. Mas o que a maioria das pessoas não se dá conta é que o passado e o presente são tão importantes quando o futuro. Todas as nossas decisões sobre a viagem são baseadas no que acreditamos e sentimos.  Todas as suas histórias e sentimentos vão inspirar e dar forma aos seus futuros passos.

FESTA PISCINA

Pool party with friends!!!! Miss you guys!

 

Muitas das pessoas que encontro na viagem me perguntam porque eu quero viajar tanto, ou se eu era infeliz com a vida que eu levava. Minha resposta?? Eu apenas quero viver!! Nós somos um casal nos nossos trinta anos, tínhamos um vida ótima no Brasil, amigos fantásticos, família ótima, dois gatos adoráveis, uma casa e trabalho. Mas no fundo faltava alguma coisa, tínhamos uma vontade enorme de ver o mundo. Deixar nossa zona de conforto e conhecer novos lugares, culturas e pessoas era nosso sonho, nosso objetivo.

Para realizar esse sonho tivemos que deixar coisas importantes para trás. Não foi fácil, não é fácil. Antes de viajar eu não conseguia dizer “tchau” para as pessoas, continuava afirmar que seria apenas por algum tempo e “até logo” era a melhor despedida. É claro que não estamos indo embora para sempre, mas também não temos a menor ideia de quando vamos voltar para casa. Afinal de contas é uma viagem sem roteiro e por tempo indeterminado, nada é certo e tudo é possível.

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My dad, me, Rob, my father and mother-in-law and Rob’s grandma.

 

O “au revoir” mais difícil foi para nossa família. Olhar para nossos avós e pensar que eles estão velhinhos e que talvez aquela fosse a última vez que os veríamos é de doer no coração. Olhar nos olhos dos pais do Rob e ver uma mistura de felicidade e tristeza fez minha alma congelar. Foi muito difícil! Abracei eles bem forte, beijei e prometi que nós ficaríamos bem.

Para matar a saudade nós mantemos contato com a família e com os amigos através de email, Facebook, Whatsapp e Skype. É claro que não é a mesma coisa do que conversar de verdade, abraçar e beijar, mas ajuda a diminuir a dor de estar longe. A parte difícil é não conseguir conversar, apertar e brincar  com os gatos. Quem tem animal de estimação entende o que estou sentindo.

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Godard and Dandara posing as The Cration of Adam from Michelangelo.

 

Nós deixamos os dois gatos com os pais do Rob, eles adoram o Godard e a Dandara, os dois não poderiam estar em melhor companhia. Ela tem 12 anos e ele tinha 10. A Danda já estava um pouco doente quando viajamos, então já estavamos um pouco preparados para receber más notícias. Mas o gato estava bem, lindo, peludo e feliz! Quando a mãe do Rob ligou para gente eu não conseguia acreditar no que ela estava nos contando. Meu Godard teve um infarto. Em menos de 5 minutos e ele já não estava mais entre a gente. Eu não vou ter mais a chance de dar carinho ou abraça-lo novamente.

Eu e o Rob ficamos arrasados. Aquela quarta feira foi triste, cinza e cheia de dúvidas. Pela primeira vez nós percebemos que estamos muito longe de tudo e de todos que amamos, e que mesmo que a gente não queira coisas ruins podem acontecer à eles. Eu me senti de mãos atadas, com a certeza que eu não posso brincar com o futuro, ou ser inocente e acreditar que nada de mau vai nos acontecer. Não ter tido a chance de dar tchau, de dar um ultimo afago ao meu gato me fez ter certeza da importância de aproveitar cada momento e cada pessoa que temos em nossa vida. Já tinha sentido isso quando perdi minha mãe, e acreditava que nada poderia me deixar tão triste de novo.

Sentimos muita falta dos gatos. Saudade do ronronar, das brincadeiras pela casa, e do pelo macio encostada me mim enquanto dormia. Eu sinto falta do café da tarde com os pais do Rob, ou do almoço na casa dos meus avós. O jantar com os nossos  amigos. Você percebeu? Eu sinto saudade de casa, mas não das coisas materiais. Saudade das sensações, sentimentos, pequenos prazeres que eu não sou capaz de sentir através da conversa pela internet. Esses sentimentos e esse amor foram as coisas mais importantes e mais  difíceis que tivemos que deixar para trás.

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My hen party, I do miss my friends!!!!

 

Por isso, todos os dias eu me esforço para aproveitar cada momento, cada coisa e cada pessoa. A gente não tem ideia do que o futuro nos guarda, então não desperdice tempo (minha mãe sempre tentou me ensinar isso, agora eu entendo perfeitamente). Seja Feliz, seja legal com o mundo, ajude os outros, seja generoso. Aproveite o máximo de tudo, e quando o dia de dizer adeus chegar você não vai sofrer tanto porque tem a certeza que já saboreou o melhor de tudo.

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Rob and his good friend Marcos aka Cabeça.

Faz três meses que estamos na estrada e até agora estávamos bem. Eu já chorei algumas vezes (ontem de novo), mas sou mulher e posso ter esses rompantes emocionais. O Rob é mas comedido do que eu, até semana passada ele parecia estar bem, agora já não tenho mais tanta certeza. Ele também sentiu bastante a perda do nosso gato, e até pensou em encerrar a viagem. Eu creio que ele percebeu que não podemos controlar tudo e que dizer tchau á pessoas é uma tarefa diária nessa nova rotina de vida.

Mas não se preocupem, estamos bem! Mais alguns dias e estaremos ótimos de novo.

Para todos que ficaram no Brasil, e para as pessoas e amigos que encontramos no caminho eu quero apenas dizer “Até logo!”. Hoje o mundo é pequeno demais, tenho certeza que vou encontrar muitos de vocês pelas esquinas da vida.

 

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